Papiros Egípcios e o Livro de Abraão
abril 19, 2012 por leonardo
Arquivado como Papiros Egípcios, Tópicos Especiais
Kerry Muhlestein é um professor associado de escrituras antigas da BYU.
Muitos críticos tem afirmado que a tradução de Joseph Smith dos papiros Egípcios e sua interpretação dos desenhos Egípcios não estão de acordo com o que a Egiptologia diria destas coisas. Tais críticos então questionam sua habilidade de traduzir registros antigos. Um exame mais cuidadoso revela que estas afirmações são baseadas em falsas suposições e má informações. Pesquisas sólidas dão suporte às afirmações de Joseph Smith.
Quando eu decidi fazer um doutorado em Egiptologia na UCLA, eu não pretendia estudar ou explicar assuntos referentes ao Livro de Abraão. Eu estava ciente das diversas controvérsias, mas não as achava convincente ou interessante na época. Eu estava terminando o meu mestrado em Hebreu bíblico e estava mais intrigado com o Êxodo e suas conexões Egípcias. Eu também estava fascinado com os assuntos Egiptólogos em si. Assim eu comecei meu programa de PhD sem qualquer plano de despender tempo em qualquer coisa que fosse associado ao Livro de Abraão.
Durante meu trabalho de doutorado, ao ensinar nas classes do instituto sobre a Pérola de Grande Valor, descobri que a mensagem do Livro de Abraão era cada vez mais poderosa e gravitacional. Eu não conseguia escapar do sentimento que eu estava apenas arranhando a superfície, e que havia muito mais coisa que eu não estava entendendo. Quanto mais compreendia as mensagens do Livro de Abraão, maior era este sentimento. Além disto, alguns anos depois, começaram a aparecer várias publicações feita por outros estudiosos sobre o tema que havia escolhido para minha tese; ele não parecia mais um foco viável para uma pesquisa original. Enquanto eu tentava decidir sobre outro tema para minha tese, vários eventos salientaram a necessidade de pesquisar alguns aspectos associados com o Livro de Abraão. Um grande número destes eventos revelaram que alguns Egiptólogos tinham sentimentos profundos contra qualquer assunto associado com aquele livro maravilhoso.
Em algum nível, eu posso entender os sentimentos negativos mantidos por alguns colegas. Os egiptólogos são bombardeados constantemente com ideias descabidas sobre como interpretar aspectos de símbolos e crenças egípcias. Isto foi uma grande verdade principalmente nos séculos XVIII e XIX, período em que houve um interesse renovado no Egito, mas uma ausência de habilidade acadêmica para levar ao conhecimento adequado da cultura do antigo Egito. Eu acredito que este fervor de interessa foi pelo menos parcialmente inspirado pelo Senhor. Ele resultou da chegada súbita de múmias e papiros nos Estados Unidos – algum dos quais continham o Livro de Abraão e acabaram nas mãos de Joseph Smith. Muitos estudiosos veem Joseph Smith como meramente uma parte desta fascinação dos americanos do século XIX com o Egito. Essa percepção leva a um foco particular do uso de Joseph Smith dos papiros egípcios.
Para entender melhor esta percepção, precisamos perceber que exceto Joseph Smith, nenhum daqueles que afirmaram estar interpretando artefatos egípcios durante aquele período esteve sequer próximo de estar correto em suas conclusões. Se alguns dos religiosos contemporâneos de Joseph Smith, tais como Ann Lee, George Fox ou Alexander Campbell, afirmassem ter traduzidos papiros egípcios, eu não estaria inclinado a dar o mínima de crédito a suas afirmações. Os egiptólogos estão acostumados com esse tipo de declaração, mas há uma diferença significante entre as afirmações de Joseph Smith e de outros de sua época – Joseph ainda tem milhões de seguidores que aceitam a sua interpretação como certa. Nenhum dos outros tem seguidores modernos que acreditam em suas ideias. Porque sem a ajuda de Deus ninguém na época e lugar de Joseph poderiam traduzir egípcio, alguns de meus colegas estão maravilhados que alguém continue a acreditar que Joseph Smith o pudesse. Eles são unidos, e até mesmo estimulados, por pessoas de outras religiões que estão inclinados a desacreditar o Profeta.
Durante este mesmo período que eu estava sendo exposto a este rancor, eu também encontrei um grande número de pessoas boas que se tornaram cegas por aqueles com tal vitríolo. Existem muitas pessoas honestas buscando a verdade, tanto dentro quanto fora da Igreja, que não sabem o que fazer com as afirmações dos críticos anti-Mórmons sobre o Livro de Abraão. Eu percebi que muitos membros da Igreja que tem dificuldade com este assuntos referente ao Livro de Abraão não são necessariamente pessoas buscando desculpas para deixar a Igreja. Muitos simplesmente encontraram argumentos bem escritos (mas não necessariamente bem documentado ou bem pesquisado) conta o Livro de Abraão e não sabem como responder as perguntas colocadas nestes argumentos. Eles, assim como Joseph Smith antes deles, não sabiam como responder as guerras de palavras ao seu redor, mas ainda procuram honestamente pela verdade.
Nesta mesma época, eu comecei a corresponder com alguns de meus irmãos Cristãos que estavam escrevendo publicações conta o Livro de Abraão. Eu descobri que a maioria deles tinham boa intenções e estavam simplesmente tentando fazer o que lhes parecia correto. Eu acho que poucas pessoas estão cientes de que as coisas que escrevem sobre o Livro de Abraão são baseado em informações incorretas e má suposições. Eles são enganados pelos erros, mentiras, e lixos colocados por alguns, e acabam passando informações erradas inadvertidamente sem realmente pesquisar as fontes utilizadas. Eles fazem isso porque acreditam sinceramente nas coisas que leem, sem saber que eles também foram enganados.
Porque muitas pessoas acreditam nessas suposições incorretas, suas conclusões lógicas é que eles precisam ajudar outras pessoas a entender o que eles aprenderam. Esses homens e mulheres bons e anteciosos não estão geralmente consciente que eles precisam desenganar as suposições falsas e supostos fatos que eles encontraram.
Todos estes fatos me convenceram que havia uma necessidade real para se fazer um trabalho sério sobre o Livro de Abraão, especialmente no tangente a Egiptologia. Eu estava ciente que alguns estudiosos Santos dos Últimos Dias estavam trabalhando neste tema, mais notavelmente Michael D. Rhodes e John Gee. Mas eu também me convenci que precisava fazer algo mais.
Sacrifício Humano no Egito e o Livro de Abraão
Um assunto que me intrigava era baseado em intimações de alguns autores que o sacrifício humano não existia no antigo Egito. Os egiptólogos negam amplamente a existência dessa prática, algumas vezes com veemência. Eu sempre aceitei essa linha de pensamento, até um amigo Santo dos Últimos Dias em meu programa de doutorado, Val Sederholm, apontar um possível exemplo de sacrifício humano na história Egípcia. Nenhum de nós sentíamos que a prova de sacrifícios humanos era necessário para dar suporte a historia do Livro de Abraão sobre o quase sacrifício de Abraão, pois Abraão deixa claro que o sacerdote que quase o sacrificou representava uma amálgama de religiões do Oriente Médio (ver Abraão 1:7). Algumas das culturas representadas certamente realizavam sacrifício humano. Ainda assim, o conceito completo de violência sagrada me fascinava, então eu determinei escrever minha tese sobre a estrutura religiosa para assassinato sancionado no antigo Egito. Eu não tinha um assunto específico, apenas queria descobrir o que aconteceu no Egito referente a este tema.
Por um ano e meio eu dediquei quase todo o meu tempo – às vezes quatorze horas por dia – par pesquisar e escrever sobre a violência sagrada no Egito. O que mais me surpreendeu foi o quanto a cultura Egípcia que eu estava descobrindo se encaixava bem na cultura retratada no Livro de Abraão e também como esse conhecimento me ajudou a entender várias nuances daquele livro. Aqui eu poderei apenas dar uma sinopse de meus achados.
Embora os egípcios possam ter tido algum tipo de programa regular de sacrifício humano (pequenas evidências sugerem isto, mas não há evidência conclusiva), ao mesmo tempo eles certamente acreditavam que haviam algumas circunstancias nas quais a única resposta apropriada era um ritual para matar alguém. O cenário mais provável para isto acontecia quando um indivíduo perturbava a ordem religiosa ou política. O Livro de Abraão indica que Abraão estava pregando contra a idolatria (um conceito que está no coração de quase todo aspecto da cultura e crença Egípcia) e isto fez com que o sacerdote local o tentasse sacrificar (ver Abraão 1:5-7). Uma grande quantidade de tradições não canônicas sobre Abraão concordam com este cenário.
Não só os cenários se encaixam, como eles completam um ao outro. Por exemplo, eu sempre achei curioso que a maioria das tradições não canônicas afirmassem que Abraão devia ser queimado, enquanto o Livro de Abraão fala de um altar – embora ele nunca especifica como ele seria morto no altar. O Fac-símile 1 indica uma faca sendo usada. O que eu encontrei nos poucos casos de sacrifício egípcios (humanos ou não) sobre os quais temos detalhes é que tipicamente a vítima do sacrifício era atingida com uma lâmina e então era queimada. Em retrospectiva, isto faz muito sentido. É muito mais fácil queimar alguém ou alguma coisa que já está morta. Quase todo sacrifício animal era feito desta maneira. Isto era o que provavelmente iria acontecer com Abraão também, primeiro ser atingido com uma faca enquanto estava no altar (conforme retratado no fac-símile 1) e então queimado. Assim as fontes egípcias ajudaram a compreender o sentido de vários elementos da historia de Abraão.
Eu descobri que realizar pesquisas Egiptólogas completas e corretas eram a chave para entender o Livro de Abraão. Quando buscamos os fatos pesquisando os materiais cuidadosamente, eles se encaixam perfeitamente com as informações recebidas de Joseph Smith. A figura que o Livro de Abraão retrata detalhes claros do grande mural da historia e prática egípcia.
Encontrando Mais Suporte para o Livro de Abraão
Tendo percebido que a egiptologia resolvia um problema que os críticos usavam para tentar desacreditar o Livro de Abraão, eu comecei a me perguntar o que mais minha disciplina poderia oferecer para aproximar e entender o volume sagrado. Eu também estava intrigado com as ideias antigas encontradas dentro do livro de escrituras. Ao começar a procurar em vários elementos textuais, eu não apenas encontrei respostas, mas eu descobri que outros também encontraram estas mesmas respostas. Muitos fragmentos textuais do Livro de Abraão tinham suporte histórico. Deixe-me providenciar um exemplo.
Abraão fala sobre um ponto particular entre Ur e Harã; embora haja algum desentendimento sobre onde Ur de Abraão realmente ficava, muitos estudiosos Santos dos Últimos Dias que consideram a evidencia fornecida no Livro de Abraão acham que a candidata mais provável está em algum lugar a leste de Harã; Abraão cita um lugar próximo chamando-as de planícies de Olisem (ver Abraão 1:10). Este é um nome que ninguém havia ouvido durante os dias de Joseph Smith, mas uma vez que o Livro de Abraão usa vários termos que ninguém havia encontrado em nenhum lugar, Olisem não se destacou a princípio. Entretanto, descobertas de textos antigos desde os dias de Joseph revelam dois textos – um de antes da época de Abraão e um relativamente contemporâneo a Abraão – citam um local próximo a Harã chamado Olisem. As chances de que Joseph Smith tivesse inventado uma terra fictícia que veio a ser precisa em nome, tempo e local são muito astronômicas até mesmo para serem consideradas. Eu não sei como este fato poderia ser interpretado como qualquer outra coisa a não ser como uma evidência de que Joseph Smith realmente estava traduzindo um documento antigo.
Existem várias palavras estrangeiras no Livro de Abraão que não encontramos homólogos antigos para elas – palavras como kae-e-vanrash, a explicação para a figura 5 no Fac-símile 2. Embora estas possam parecer evidencias contra a validade do Livro de Abraão, o caso de palavras estranhas no Livro de Abraão não é de maneira alguma incomum. Isto também é verdade para vários textos egípcios que datam da mesma época e período dos papiros; frequentemente encontramos nomes e palavras que não fazem nenhum sentido para nós. Ao mesmo tempo, uma grande quantidade de palavras do Livro de Abraão tem homólogos bastante reais que dão suporte as traduções de Joseph Smith.
Estas palavras, juntamente com o nome Olisem nos levam a conclusão que uma boa pesquisa tornam o vocabulário de um livro – antes um dos motivos para subjeção dos críticos – em uma grande força em favor do Livro de Abraão.
Recentemente u comecei uma outra pesquisa que trouxe mais luz no Livro de Abraão do que eu esperava. Eu estava ciente que algum trabalho havia sido feito sobre o uso de nomes bíblicos e historias em textos religiosos egípcios, os quais me interessavam, especialmente porque eu escavei no Egito, em uma área onde havia uma presença significante de Judeus e onde o Cristianismo pode ter sido divulgado com bastante antecedência. Devido ao meu desejo de entender o passado religioso cultural que possa ter levado a essa rápida conversão ao Cristianismo, e porque o Livro de Abraão parecia pertencer a um sacerdote Egípcio, eu queria aprender mais sobre este assunto. Assim, quando a Academia Russa de Ciências me convidou para participar de uma conferencia sobre Egiptologia que focaria parcialmente em interação intercultural, eu decidi que era a hora perfeita para continuar com minhas investigações sobre este assunto.
Então eu me organizei para investigar mais o fenômeno cultural que poderia me ajudar a entender melhor tanto os resultados da escavação e a historia dos papiros de Joseph Smith, sem saber onde estas evidências podia levar. Embora eu tenha feito pesquisa egiptológa, a evidência me levava para a conclusão que os sacerdotes em Tebas tinham tanto textos bíblicos quanto histórias não bíblicas sobre figuras bíblicas em sua posse desde pelo menos 200 A.C. e que o personagem que mais liam sobre era Abraão. Eu apresentei essa informação na conferência e houve uma aceitação universal, tanto que muitos especialistas em interação entre Judeus e Egípcios deste período de tempo me procuraram após a minha apresentação para compartilhar comigo o quanto eles concordavam com meus achados. O artigo foi solicitado para publicações no procedimento, e eu antecipo que dentro dos próximos anos vai ser publicado.
O mais surpreendente é que, como será discutido mais detalhadamente abaixo, o proprietário do Fac-símile 1 era um sacerdote de Tebas que viveu cerca de 200 A.C. Este fato é perfeitamente complementado pela descoberta que os sacerdotes de Tebas tinham textos bíblicos por volta de 200 A.C. Eu tenho ficado forçosamente impressionado com o quanto as evidências da Egiptologia estão em harmonia com o Livro de Abraão.
Suposições Equivocadas e a Fonte do Livro de Abraão
Uma das questões mais prementes concernentes ao Livro de Abraão tem a ver com sua origem. Qual foi a fonte da tradução de Joseph? Esta questão se torna muito importante quando o Museu Metropolitano de Nova York revela que ele obteve alguns dos papiros que Joseph Smith possuía, incluindo o Fac-símile 1. Eles deram estes papiros – conhecidos como Papiros Joseph Smith – para a Igreja e segui-se o fervor sobre o Livro de Abraão. Os textos nestes fragmentos de papiros foram traduzidos como versões de textos funerais egípcios comuns. O texto adjacente ao Fac-símile 1 era uma cópia do Livro de Respirações (Book of Breathings), uma composição que era designada para ajudar os falecidos a atingirem suas metas desejadas no pós-vida.
Uma vez que a existência do papiro foi levada a público, a suposição imediata era que o texto adjacente do Fac-símile 1 deve ter sido o texto de onde Joseph Smith traduziu o Livro de Abraão. A ideia que o texto adjacente à Fac-símile 1 era a fonte do Livro de Abraão foi uma suposição tentadora. Porque agora temos a habilidade de traduzir tais textos, a ideia agradou igualmente Mórmons e não-Mórmons; o primeiro grupo ansioso para ter alguma prova palpável da inspiração do profeta e o outro querendo evidencias contra a habilidade reveladora. Embora a maioria de ambos os grupos não estejam cientes sobre o assunto, suas esperanças estavam baseadas em uma suposição, e uma suposição problemática sobre o tema. Embora a primeira vista parece razoável assumir que o texto adjunto à Fac-símile 1 seria o lugar para procurar a fonte do Livro de Abraão, existem muitas razões para descartar esta suposição. Abaixo estão as seis mais significativas:
1. Mesmo com modernos softwares e tecnologia de publicações, frequentemente não somos capazes de colocar uma ilustração ao lado do texto com os Papiros Egípcios e o Livro de Abraão, o qual é associado. Assim quando um texto diz “ver figura 3.2″, esta figura geralmente está em uma outra página. Mesmo com as habilidades de layouts eletrônicos sofisticados que desenvolvemos, quando eu peço a meus alunos quantos deles possuem textos que se enquadram neste caso, quase todos levantam as mãos. Esta dissonância entre texto e figura é ainda mais pronunciada com papiros antigos; é comum encontrar a figura (em um papiro egípcio as chamamos de vinhetas) longe do texto. Tal incongruência foi especialmente endêmica para a época de Ptolomeu, período no qual o Papiro Joseph Smith foi criado e o tipo de texto que encontramos próximo ao Fac-símile 1.21 neste caso, o Papiro Joseph Smith passa a ser exatamente como a maioria dos papiros desta época.
2. Além disto, durante o período no qual o Papiro Joseph Smith foi criado, era comum não apenas para o texto e suas figuras acompanhantes ficarem separadas uns dos outros, mas também era comum vinhetas erradas serem associadas ao texto, ou o texto e a vinheta ficarem completamente desalinhados em um longo pergaminho. O conteúdo de uma vinheta e o conteúdo do texto frequentemente faltavam uma conexão aparente. Isto é particularmente comum no Livro das Respirações, o tipo de textos que está adjacente ao Fac-símile 1 no Papiro Joseph Smith.
3. Não há caso conhecido de qualquer vinheta remotamente semelhante a Fac-símile 1 que está associada com o tipo de texto que esta adjacente a este Fac-símile. Nenhuma outra cópia do Livro de Respirações contem algo semelhante. Baseado em paralelos antigos do Livro de Respirações, a conclusão mais provável é que a figura ao lado do texto não estava associada a ele.
4. o Livro de Abraão em si diz que as imagens (ou desenhos) dos deuses idolatras “se encontram no início” (Abraão 1:14), presumidamente do registro ou do papiro no qual o texto foi registrado. Esta declaração parece indicar que a vinheta descrevendo o altar e os ídolos não está adjacente ao texto, mas em algum lugar longe dele – no início. Não sabemos se foi Abraão ou um outro escritor depois que criou os desenhos e os inseriu na declaração. Além disto, nos manuscritos mais antigos que temos do Livro de Abraão, esta frase foi inserida depois que o resto do texto foi escrito, significando que Joseph ou seu escriba provavelmente o inseriu enquanto estavam preparando para publicar o texto. Não podemos falar quem escreveu esta linha.
5. alguns registros indicam que a fonte para o Livro de Abraão tem alguns caracteres Hebreus inseridos nele. Nenhum dos fragmentos que temos hoje em dia contém qualquer caractere Hebreu. Assim devemos concluir que as testemunhas oculares estavam descrevendo outros textos alem dos que possuímos agora.
6. Finalmente, os registros de testemunhas oculares dos dias de Joseph Smith concordam que o Livro de Abraão estava no longo pergaminho. Através de documentos dos museus podemos corroborar que o longo pergaminho foi vendido para o museu de Chicago. Infelizmente, ele foi destruído por fogo em 1871. A pequena porção do lado de fora daquele rolo parece ter sido cortada e montada para sua proteção (a parte externa do pergaminho é sempre a mais danificada e Joseph deve ter sentido que esta parte danificada precisava de ser preservada). Porque esta parte do pergaminho foi colado a papel que data o período de Kirtland, o registro de uma testemunha ocular concorda que o Livro de Abraão foi traduzido de um longo pergaminho depois que fragmentos foram cortados, testemunhas oculares do papiro durante o período de Nauvoo não pensavam que os fragmentos que temos hoje continham o Livro de Abraão. Novamente, somos forçados a concluir devido a evidências históricas que temos que os fragmentos que temos hoje não são a fonte do Livro de Abraão.
Dados os problemas com a suposição que o texto ao redor do Fac-símile 1 era a fonte do Livro de Abraão e o fato que possuímos apenas uma pequena porcentagem do rolo de papiro original no qual o Fac-símile 1 foi desenhado (talvez apenas 5 por cento), devemos concluir que seja muito improvável e temerário insistir que o texto adjunto a Fac-símile 1 deva ser o texto do Livro de Abraão. Ainda assim os críticos insistem nesta suposição equivocada.
Isto traz a tona a questão de quanto papiro Joseph Smith tinha, e especialmente quão longo o papiro com o Fac-símile 1 pode ter sido. Os fragmentos que temos hoje em dia (os quais contém o Fac-símile 1, o Papiro Egípcio, e o Livro de Abraão e o texto adjacente) consistem em menos de 60 centímetros quando colocados juntos. Mas qual era o tamanho do pergaminho originalmente, e ele continha a fonte para o Livro de Abraão?
Sabemos de testemunhas oculares que Joseph tinha “dois rolos de papiros, alem de alguns outros escritos do Egito antigo”. Do papiro sobrevivente, podemos identificar cinco antigos donos, indicando que haviam pelo menos cinco conjuntos de papiros. Uma variedade de registros estabeleceram que pelo menos dois destes eram de tamanho considerável. Outra testemunha contemporânea descreveu uma quantidade de fragmentos de papiros contidos em um vidro, um “rolo longo” supostamente contendo o Livro de Abraão, bem como “um outro rolo”. Assim as evidências históricas que temos estabelecem a existência de um papiro de tamanho considerável, um outro pergaminho mais longo, e várias outras peças de papiros. A maior parte dos escritos deviam estar nos dois rolos de papiro.
Concernente a tamanho, não podemos ter certeza do comprimento dos rolos. Vários métodos foram usados na tentativa de descobrir seu comprimento, mas a mais apropriada probabilidade vem das aplicações de uma fórmula matemática de John Gee (que foram usadas por outros Egiptólogos) no qual a circunferência do rolo e o quão firmemente apertado ele estava pode ser usado para calcular seu comprimento original. Aplicando esta fórmula matemática, Gee estimou que o pergaminho antigo que pertencia a Seminis (o rolo menor) teria cerca de 6,1 a 7,6 cm de comprimento. O pergaminho mais longo (que continha Fac-símile 1) pertencia na antiguidade a um sacerdote chamado Horus. É estimado que este papiro tivesse mais de 12m de comprimento. Estas evidências combinadas retratam uma realidade convincente que Joseph Smith tinha uma grande quantidade de papiros em sua posse. Como é muito comum que os rolos de papiros tenham escritos em ambos os lados, um conservador estima aproximadamente mais de 24m de textos no rolo que continha o Fac-símile 1. Estes achados indicam que temos apenas cerca de 2,5% do que Joseph Smith tinha originalmente. Havia claramente espaço para o Livro das Respirações, o Livro de Abraão, e uma quantidade enorme de outros textos no rolo longo. Durante aquela época não era incomum ter múltiplos textos em um único papiro.
Os Papéis Egípcios de Kirtland
Alguns supuseram que uma coleção de papéis ecléticos, às vezes conhecidos como os Papéis Egípcios de Kirtland, provam que o texto adjacente ao Fac-símile 1 era a fonte para o Livro de Abraão. Este argumento vem de algumas folhas de papel, duas das quais exibem alguns escritos com a caligrafia de Joseph Smith, que mostram caracteres hieráticos egípcios na margem e nos parágrafos do Livro de Abraão escritos ao lado deles. Algumas pessoas supuseram que isso significa que os longos parágrafos do texto de Abraão são uma tradução dos caracteres hieráticos próximos as escritas. Uma vez que estes caracteres parecem vir do texto hierático próximo ao Fac-símile 1no Papiro Joseph Smith, alguns tem argumentado que Joseph estava traduzindo do papiro que temos atualmente quando ele nos deu o Livro de Abraão.
Existem algum problemas com esta interpretação: (1) como foi claramente explicado acima, as evidências indicam que estes papiros não eram a fonte do Livro de Abraão. Devido a registros de testemunhas oculares, somos levados a concluir que a fonte estava em algum outro lugar no pergaminho, os caracteres do Papéis Egípcios de Kirtland devem servir para algum outro propósito. (2) Erros de transcrição em todas estas cópias mostram claramente que esta não é a tradução original do Livro de Abraão. Eles são cópias posteriores daquele livro. Se Joseph tivesse escrito originalmente um caractere egípcio na margem e então tivesse ficado intrigado ou tivesse a tradução revelada para ele, não haveria a necessidade de continuar a escrever os caracteres originais quando tivesse fazendo a terceira ou quarta cópias do texto de escrituras. (3) Podemos documentar que Joseph Smith não estava em Kirtland quando muitos dos Papéis Egípcios de Kirtland foram criados. (4) Tanto o fato de que o texto hierático foi substituído na versão em inglês do Livro de Abraão quanto a evidência de práticas escriba especifica sugerem que o texto hierático foi uma adição posterior. Isto indica que eles foram escritos depois que o texto estava completo, não copiado previamente e então traduzido.
Eu não entendo a relação entre os caracteres egípcios e o resto dos papeis. Eu acredito que as evidências nos levam a concluir que os papeis não são um registro do processo de tradução, mas eu estou meio perdido para dizer de que registros eles foram tirados. Talvez os caracteres egípcio foram colocados ao lado do texto para excitar a mente de leitores em potencial na esperança de aumentar a circulação do livro; talvez eles são meramente uma manifestação do tipo de fascinação com línguas e escritos que sabemos que W. W. Phelps demonstrava frequentemente. Ou as figuras egípcias podiam meramente servir como adornos caprichosos e arcaicos. Provavelmente nenhuma destas especulações é a resposta. O ponto importante é que as evidentes que temos não apoiam a conclusão que os críticos tentam derivar deste papeis. De fato, elas indicam que estas conclusões estão erradas.
O Autor do Livro de Abraão
Tanto os membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias quanto aqueles de outras religiões tem frequentemente assumido que a declaração: “Os escritos de Abraão enquanto se encontrava no Egito, chamados Livro de Abraão, escritos do próprio punho em papiro” (cabeçalho do Livro de Abraão), significa que o próprio Abraão copiou os escritos para o papiro adquirido pelo Profeta Joseph. Os críticos tem atacado este pressuposto porque podemos datar os papiros que temos, incluindo o Fac-símile 1, em um período posterior ao de Abraão. Sabemos exatamente quem era o dono deste rolo de papiro, quais eram seus ofícios sacerdotais e seus deveres, que ele serviu e viveu em Tebas, e o nome de várias gerações de sua família. O homem que era dono (e provavelmente o criador) dos fragmentos do Papiro Joseph Smith 1, 10 e 11 (que constituem o inicio do pergaminho que contem o Fac-símile 1) era Hor (Horus em sua forma grega) – um sacerdote influente de Tebas, por volta da época da criação da Rosetta Stone (que é uma pedra do antigo Egito contendo um decreto emitido em Memphis, aproximadamente 200 A.C.). Seu pai era o governador de Tebas e tinha a mesma posição sacerdotal que seu filho. Horus teria sido altamente educado, letrado , e provavelmente tinha o conhecimento de vários idiomas; ele também devia ter acesso às grandes bibliotecas dos templos de Tebas. Eu já discuti a evidência mostrando que os sacerdotes em Tebas durante este período tinham acesso a historias sobre Abraão. Assim o proprietário deste papiro era um sacerdote com alto nível de educação que provavelmente tinha acesso a informações sobre figuras bíblicas. Curiosamente, um dos seus papéis como sacerdote estava associado com os rituais de execração egípcias, que às vezes envolvia o sacrifício humano – algo semelhante ao que Abraão descreve no Livro de Abraão e que está retratado no Fac-símile 1.
Os críticos dizem que se este papiro foi escrito no segundo século antes de cristo, não é possível que ele tenha sido escrito por Abraão. Referente a esta suposição, eu pergunto, quem disse que este papiro particular foi escrito pelas próprias mãos de Abraão? O cabeçalho não indica que Abraão escreveu naquela cópia em particular, mas que ele era o autor do texto original. O que estes críticos tem feito é confundir as diferenças entre o texto e o manuscrito. Por exemplo, muitas pessoas tem uma copia do best seller de J. R. R. Tolkien, O Senhor dos Anéis; cada um tem uma cópia manuscrita do texto que Tolkien escreveu originalmente. Um texto, indiferente de quantas cópias ele possa ter no mundo, é escrito pelo mesmo autor. Entretanto, cada cópia daquele texto é um manuscrito.
As primeiras cópias conhecidas do livro de Isaías datam de centenas de anos após a morte do profeta. Ainda assim isto não nos leva a conclusão que Isaias não seja o autor do Livro de Isaías. Certamente os manuscritos que temos são cópias do texto original que ele escreveu durante a sua vida. Todos sabemos que quando um autor do mundo antigo escrevia alguma coisa, se estes escritos deviam sobreviver ou ser disseminado, o texto tinha que ser copiado várias vezes, por várias gerações. Quando o cabeçalho declara que o livro foi escrito pelas próprias mãos de Abraão, ele refere quem é o autor, não quem copiou o manuscrito particular que veio a ficar em posso de Joseph Smith. Se os críticos tivessem pensado sobre o assunto cuidadosamente, eles nunca o teriam levantado. Estes assuntos também destacam a questão de como o Livro de Abraão veio a estar no Egito, pra inicio de conversa. Existe um número estonteante de possibilidades. O próprio Abraão estava no Egito, assim como estava seu bisneto, José, e todos os seus descendentes israelitas por centenas de anos depois. Após o Êxodo, os Israelitas continuaram a viajar e a viver no Egito. Após a destruição de Jerusalém pela Babilônia, um grande grupo de judeus se mudaram para o Egito e criaram comunidades duradouras e prósperas, até ao ponto de construírem um templo. Foi durante este período que os Papiros Joseph Smith 1, 10 e 11 foram criados. Cópias destes papiros poderiam ter sido levados de um lado para o outro entre o Egito e Israel por vários anos desta era.
Interpretações dos Fac-símiles
As possíveis interpretações dos Fac-símiles são complicadas e numerosas, fazendo com que seja possível nos aprofundar muito concernente as muitas questões que são levantadas referente a estes Fac-símiles. Ainda assim alguns assuntos precisam ser tratados, especialmente referente aqueles ataques feitos contra os Fac-símiles, baseados em um pressuposto problemático. Tipicamente, as pessoas tem perguntado como os Egípcios teriam interpretado estes desenhos e como isto se compara com a maneira que Joseph Smith os interpretou. Mas esta questão é geralmente respondida sem examinar as crenças Egípcias, mas baseadas no que os Egiptólogos modernos dizem. Isto é compreensível, já que não temos acesso a nenhum Egípcio antigo. Ainda assim sabemos que os egiptólogos modernos podem estar errados concernente a como os egípcios teriam interpretado estes desenhos. Por exemplo, John Gee demonstrou que as poucas vezes encontramos rótulos egípcios das várias figuras nos hipocéfalos (desenhos semelhantes ao Fac-símile 2), os rótulos raramente estavam de acordo com o que os egiptólogos modernos haviam dado para as figuras. Além disto, nós, egiptólogos, usamos uma metodologia pobre quando interpretamos os símbolos egípcios do período do Papiro Joseph Smith. A maior parte do nosso conhecimento sobre o que os símbolos do antigo Egito significam vem da Décima oitava Dinastia , por volta de 1500 A.C. Nós então aplicamos, frequentemente, estes significados para figuras semelhantes de qualquer período de tempo. Entretanto, o Papiro Joseph Smith data de mais de mil anos voláteis depois, e é quase certo que as interpretações de muitas imagens mudaram durante este período de tempo. Assim, um problema em criticar as interpretações que Joseph fez dos Fac-símiles é que nosso único meio de interpretá-las é baseado em uma comparação equivocada.
Devido a estes problemas, é ineficiente usar a interpretação de egiptólogos modernos dos Fac-símiles para julgar a validade da interpretação de Joseph Smith. Se tivéssemos que nomear a interpretação de Joseph como X, a dos egiptólogos como Y e o que os Egípcios antigos acreditavam como Z, muitos provavelmente diriam que se Joseph está certo, então X é igual a Z. Mas para descobrir se X é igual a Z, eles comparam X com Y. Como não sabemos se Y é igual a Z, essa comparação se torna completamente sem sentido. Além do mais, sequer podemos assegurar que os egípcios saberiam como interpretar os símbolos do Livro de Abraão. Sabemos que, em muitas ocasiões, os descendentes de Abraão pegaram elementos da cultura egípcia e aplicaram seu próprio significado para elas. Assim precisamos perguntar se devemos procurar por uma interpretação judaica ao invés de uma interpretação egípcia. Devemos considerar a possibilidade que o artista original primeiro desenhou em um estilo artístico judeu, mas quando um Egípcio copiou novamente os desenhos no Século II A.C., o artista o fez de acordo com seus costumes artísticos. Então, onde devemos procurar para saber como interpretar estes desenhos? É aparente que existem sérios problemas em tentar verificar as explicações de Joseph sobre os Fac-símiles comparando-os às explicações egiptológas.
Tendo dito isto, ainda é interessante ver como os Fac-símiles se encaixam no que conhecemos do seu contexto egípcio; há uma chance que podemos aprender alguma coisa desta maneira. Começaremos com o Fac-símile 1. Já esclarecemos que ele não esta associado ao Livro de Respirações. Mas se não é uma vinheta do Livro de Respirações, o que ele é?
Alguns tem sugerido que é uma cena típica de embalsamento. Ainda assim ela é mais diferente do que igual a cenas de embalsamento. A única semelhança é que a pessoa está em uma mesa com forma de leão com outra pessoa de pé ao lado. Outros sugeririam que o paralelo mais próximo desta cena estão no templo de Dendera e que a figura na mesa está associada a Osiris. Recentemente John Gee examinou detalhadamente estas descrições de Dendera. Ele observou que apenas um destes tinha uma figura alada, de certa forma semelhante ao Fac-símile 1. Esta cena está acompanhada por um texto que diz que Bastet, uma deusa egípcia sequer retratada na cena “é a sua proteção diária; ela ordena que seus mensageiros matem seus inimigos”. Assim encontramos um irmão contextual perfeito para iconográfico mais próximo de se encaixar ao Fac-símile 1, de que ambos são sobre alguém que está em perigo e recebe proteção. Existem outros textos semelhantes que acompanham cenas semelhantes em Dendera. Outra cena com mesa em forma de leão no templo inclui cenas de Anubis e os filhos de Horus defendendo alguém de seus adversários, ou listam Shesmu, um deus associado com o sacrifício humano, como parte da cena. 48 textos adjacentes descrevem que a pessoa no altar está sendo morta, seus confederados sendo apunhalados, e “sua carne sendo cinzas, o mau conspirador destinado a mesa em forma de leão / matadouro, para que não mais exista”. Eu continuo sem me convencer que estas cenas em Dendera são realmente paralelos ao Fac-símile 1, embora possa ser. Ainda assim, se os críticos continuam insistindo em associar os dois, eles também devem estar dispostos a associa-los com os elementos sacrificais das cenas de Dendera – as quais apenas corroboram com a interpretação de Joseph deste Fac-símile.
Entretanto, deve-se notar que o Fac-símile 1 é único em vários aspectos. Nesta cena a figura não está nem na forma mumificada, nem nua, como é o caso da maioria dos supostos paralelos. A figura na mesa tem as duas mãos levantadas, em uma posição que quase certamente denota um esforço. E embora ninguém possa falar isto do Fac-símile, no papiro original fica claro que o sacerdote está de pé entre o altar e as pernas da pessoa no altar. Em outras palavras, a pessoa no altar está apenas com uma parte do corpo sobre ele, porque o sacerdote está ocupando o espaço entre ambas as pernas da vitima e o altar. Eu não consigo imaginar nenhuma outra razão para isto, se não que a pessoa no altar estava tentando fugir. Se o sacerdote estivesse ajudando-o a subir no altar ele não estaria entre suas pernas. Fica claro que esta descrição é única e que denota algum tipo de movimento que não é encontrado em qualquer paralelo.
Além disto, é interessante notar que encontramos um papiro descrevendo uma pessoa em uma mesa em forma de leão que os Egípcios descreveram como Abraão. Aqui vemos que os próprios egípcios associaram a cena com Abraão.
Como já foi discutido anteriormente, a história sacrifical descrita no Fac-símile 1, contrário a maioria das publicações, descreve algo que temos agora estabelecido como algo congruente com as práticas egípcias. Embora o Fac-símile 1 seja incomum em vários aspectos, a interpretação que Joseph Smith fez sobre ele é corroborada por uma pesquisa egiptóloga bem feita.
Argumentos semelhantes podem também ser feitos para os outros dois Fac-símiles. Os próprios egípcios identificaram textualmente cenas paralelas com a de Abraão em dado período de tempo. Cada um tem elementos que se encaixam bem com as interpretações de Joseph, e todas, como de costume, tem sido interpretadas erroneamente pelos críticos. Alguns aspectos dos Fac-símiles ainda me deixam intrigados, mas porque eu entendendo o relacionamento entre minhas perguntas e o conhecimento revelado (veja abaixo) eles não me perturbam. Até o presente, sempre que algo da egiptologia parece estar em desacordo com o conhecimento revelado, estudos egiptólogos cuidadosos tem dado suporte para o que eu já sabia através de revelação. A egiptologia está continuamente evoluindo e avançando. Todos os anos decidimos que algo que estávamos ensinando está incorreto. Mas este não é o caso para conhecimento revelado. Assim, embora eu tenha um grande respeito pelo conhecimento obtido através de ferramentas e habilidades da minha disciplina, eu não as considero tão confiável quando o conhecimento obtido pelo Espírito Santo.
Primazia do Conhecimento
Aqui eu tive a oportunidade de abordar apenas algumas poucas questões sobre o Livro de Abraão. Mas por fim, um principio pode responder a todas as questões que temos – ou teremos – relacionadas a este livro de escrituras. Este principio é entender como valorizar as várias formas de aprender.
Enquanto fazia meu PhD em Egiptologia na UCLA, eu desenvolvi uma dor aguda em meu joelho. Ela se tornou tão aguda que eu podia usar apenas as calças mais largas, não podia me ajoelhar, e ficava receoso toda vez que meus filhos se moviam em direção a minha perna, com medo que eles pudesse tocar no meu joelho. Eu podia sentir uma pequena saliência debaixo da pele que estava pressionando o nervo ou alguma outra coisa. Eu procurei os médicos do departamento médico da UCLA. Eles tentaram sentir esta saliência e tiraram vários tipos de raio-x e ressonância magnéticas. Não foi encontrado nada. Nenhum dos muitos médicos que me viram acreditaram que havia alguma coisa dentro do meu joelho; eles acharam que devia ser algum outro tipo de problema. Alguns até tentaram tratar problemas imaginados. Finalmente fui encaminhado para a diretoria da medicina ortopédica, que disse que ele estava pensando em fazer uma incisão e ver se conseguia achar alguma coisa. Através desta incisão ele achou um pedaço de cartilagem que havia se soltado e havia começado a arrancar os tecidos circunvizinhos. Sua remoção me curou por completo.
O ponto da minha historia é que de acordo com as melhores práticas e tecnologias disponíveis, não havia nada no meu joelho. Porque muitos médicos confiavam apenas no que eles mesmos sentiam ou viam, ou o que a tecnologia lhes havia mostrado, eles não acreditavam que havia de fato um objeto físico me causando dor. Ainda assim, com os sentidos que estavam disponíveis para mim, mas não para eles, eu podia sentir que havia alguma coisa dentro de mim. O fato que os outros não podiam achar ou detectar esta coisa não mudou o fato que ele estava lá, nem o fato que eu podia senti-lo e ter certeza que estava lá. Ele não diminuiu os efeitos reais que tinha em minha vida. No fim, meus sentidos (que não estavam disponíveis no processo empírico) estavam certos.
Eu sei que Joseph Smith foi um profeta inspirado através de processo semelhante. Eu aprendi através dos sentidos disponíveis para mim (mas não para a ciência ou para a tecnologia) que Joseph Smith foi um profeta de Deus. O fato que outros não podem provar isto não quer dizer que seja mentira ou que seja menos real para mim. Portanto, parece algo tolo questionar o Livro de Abraão devido a qualquer coisa que a egiptologia me diga. Eu sei que durante a minha vida os egiptólogos vão mudar sua visão sobre a maioria das coisas que eles tem certeza agora. Os egiptólogos sabem que estão errados com certa frequência. Contudo, o que eu aprendi através do Espírito jamais esteve errado. Por que eu estaria mais de acordo com o que um egiptólogo pode me falar do que um profeta? Isto seria como acreditar nos médicos que me falaram que não havia nada no meu joelho. Eu me recusei a ser tão tolo.
Mesmo com esta certeza, estou ansioso para aprender mais sobre o Livro de Abraão. Eu espero fazer isto tanto através de revelação pessoal quanto através de inspiração que está disponível para meus colegas e para eu mesmo aplicar em nossos melhores esforços, treinamento e ponderação. Eu tenho sido afortunado de não estar sozinho em meus estudos de Egiptologia de do Livro de Abraão; muitos outros estão avançando neste tema, mais notavelmente John Gee e Michael Rhodes. Eu tenho desfrutado de fica colaboração com estes homens e com outros. Estamos atualmente em um período de pesquisas intensas referente ao Livro de Abraão. Parece que a cada mês aparecem informações novas e empolgantes. Somos abençoados por viver em uma época em que respostas e oportunidades excedem nossas energias e tempo para continuar as pesquisas.
A maioria dos materiais em ambos os lados deste assunto tem sido preenchidos com trabalhos mal feitos. Alguns Santos dos Últimos Dias tem oferecido argumentos para apoiar o Livro de Abraão que são tão problemáticos quanto os argumentos que estão tentando negar. Temos sido desleixados em nossos esforços de tentar encontrar uma prova da legitimidade do livro através de materiais paralelos, e eu acho que temos causado tanto estragos quanto benefícios em muitas destas tentativas. Talvez o pior trabalho tenha sido feito por Santos dos Últimos Dias bem intencionados que querem genuinamente entender o Evangelho mais profundamente e de alguma forma chega a conclusões que uma má interpretação de religiões e símbolos egípcios os ajudaram a entender melhor o verdadeiro evangelho. Esta prática tem sido usada tanto em ensinamentos verbais quanto impressos. Precisamos fazer mais com relação a isto.
Mas ainda existem muitas coisas que estamos fazendo bem. Eu antecipo os Santos dos Últimos Dias farão um grande bem a egiptologia com o passar dos próximo dez ou vinte anos. Tem experiência pessoal que quando estudamos a egiptologia corretamente, o que aprendemos apoia as coisas que muitos de nós já acreditamos e com frequência nos ajuda a expandir um pouco mais o nosso entendimento. Tais estudos contém muitos achados que confirmam a fé. Embora ainda haja muitas perguntas a serem respondidas, os próximos anos parecem promissores.
Recursos Adicionais:
A Pérola de Grande Valor inclui o Livro de Abraão e é uma coleção de registros de escrituras. Aprenda mais no site oficial de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (inadvertidamente chamada por amigos de outras religiões de “Igreja Mórmon”).

